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Wall Street cede à pressão, com os chips e IA no centro da tempestade
24 de junho de 2026
A sessão de 23 de junho ficou marcada por uma venda em massa no setor tecnológico, com os principais índices a recuar. O S&P 500 fechou em 7.365,46 (-1,44%), o Nasdaq Composite em 25.587,04 (-2,21%) e o Dow Jones em 51.666,84 (-0,09%). Os futuros de hoje apontavam para uma abertura próxima do equilíbrio.
Semicondutores em queda livre
O setor de chips foi o epicentro da sessão. A Nvidia caiu cerca de 4%, a Micron Technology recuou mais de 13%, e a AMD (-5,8%) e a Intel também fecharam no vermelho. O ETF de semicondutores VanEck (SMH) perdeu cerca de 7%, e o ETF tecnológico XLK da State Street recuou perto de 4%. O sell-off estendeu-se à Ásia durante a noite: a SK Hynix e a Samsung tombaram mais de 12%, arrastando o índice Kospi coreano a uma perda de 10%. O que está por trás disto? Uma combinação de valuações esticadas no setor de IA, ceticismo crescente sobre o retorno dos investimentos em IA pelos grandes operadores, e o receio de que a Fed ainda venha a subir taxas este ano. Depois de um dot plot mais agressivo na reunião de junho, os mercados já atribuem cerca de 90% de probabilidade a pelo menos uma subida de 0,25% até ao final do ano (contra ~57% uma semana antes), e uma nota do Bank of America chegou a admitir até três subidas. Quando as posições em ações de IA estão muito "lotadas" (muitos investidores no mesmo lado), basta uma mudança de sentimento para desencadear vendas em cadeia.
Destaques de empresas
- Micron Technology — com resultados trimestrais a sair a 24 de junho, esta era a empresa mais aguardada do dia. A ação tinha atingido máximo histórico na segunda-feira e fechou a sessão anterior em $1.051,77, depois da queda de mais de 13%.
- Cerebras Systems — caiu cerca de 11% após os primeiros resultados desde o IPO em maio. A empresa alertou para uma contração da margem bruta (a guidance aponta para 36% a 38% no 2.º trimestre, face a 47% no anterior).
- FedEx — perdeu cerca de 6% em after-hours, após os resultados. Apesar de ter batido as expectativas tanto na receita ($25 mil milhões vs ~$24 esperados) como nos lucros ($6,31 vs $5,96 por ação), a ação caiu devido à compressão das margens operacionais. A empresa apontou as mudanças na política comercial dos EUA (tarifas) como principal obstáculo.
- Alphabet — recuou 1% na sessão de 23 de junho (depois de -5% no dia anterior), com preocupações sobre saídas de talento em IA. Ainda assim, há novidade: a Google vai integrar o índice Dow Jones (os 30 grandes) antes da abertura da próxima segunda-feira.
- Walmart — assinou o seu primeiro acordo nuclear, para comprar cerca de 176 megawatts de energia à Constellation Energy (a partir da central de Dresden, no Illinois), em dois contratos de 15 anos com início em 2029 e 2030.
O que observar a seguir
O VIX — o índice de volatilidade do mercado, que funciona como um "barómetro do medo" — fechou em 19,49, uma subida de quase 13%. Ainda não está em território de alarme extremo, mas vale a pena acompanhar. No plano geopolítico, os EUA e o Irão acordaram um roteiro para um acordo final em 60 dias, com negociações na Suíça, e o vice-presidente JD Vance falou em "grandes progressos". Washington concedeu ainda ao Irão uma licença de 60 dias para vender petróleo, e o tráfego no Estreito de Ormuz está a recuperar, embora a situação continue volátil. Reflexo direto: o Brent desceu para cerca de $78/barril e o WTI para perto de $74.
Este artigo é informação educativa sobre o que aconteceu nos mercados, não é aconselhamento financeiro personalizado. Considera sempre a tua situação antes de tomares qualquer decisão.
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